Quantos estádios do Brasileirão 2025 têm gramado sintético?
Série A desta temporada tem uma troca: sai Arena da Baixada e entra Arena MRV

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Em meio às polêmicas com os jogadores, o Campeonato Brasileiro de 2025 terá três estádios com grama sintética. O número é o mesmo do ano passado, mas com uma troca e pode até aumentar.
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Nesta temporada, o Allianz Parque (Palmeiras) e o Nilton Santos (Botafogo) são os remanescentes da última edição. A grande novidade fica por conta da Arena MRV, do Atlético-MG, que decidiu mudar o tipo de gramado no final de 2024 e deve estrear o campo no começo da Série A.
Pioneiro em grama sintética no Brasil, a partir de 2016, o estádio do Athletico não estará neste ano. O Furacão foi rebaixado e jogará a Série B após 12 anos.
Além destes três estádios confirmados, o Pacaembu passou por reformas e colocou gramado sintético. A praça esportiva, antes municipal e agora privada, tem acordo de 10 anos com o Santos para receber partidas, e o presidente Marcelo Teixeira já indicou que pensa no estádio para o Brasileirão.
Ainda existe um outro tipo de grama. A Neo Química Arena, casa do Corinthians, e o Maracanã, principal palco do futebol do Rio de Janeiro, contam com gramados híbridos. Neste tipo de campo, há uma mistura entre grama sintética e natural. No estádio do Timão, por exemplo, a proporção de grama sintética em meio ao campo natural chega a 4% no máximo.
Allianz Parque

O Palmeiras passou da grama natural para a grama sintética em 2020. De acordo com a Soccer Grass, que cuida do campo, o gramado sintético do Allianz Parque é o mais próximo de um campo natural em toda os estádios da América Latina por utilizar fios de grama na base do sistema de tecelagem dos tufos. O custo para a instalação foi de R$ 10 milhões.
Arena MRV

O Atlético-MG demorou menos de dois anos para mudar o gramado do novo estádio. O Galo iniciou a troca em dezembro de 2024 e deve estrear a grama sintética nas primeiras rodadas do Brasileirão. O fornecedor é a empresa Total Grass, que executa obras de campos profissionais em parceria com a FieldTurf. O custo para a instalação foi de quase R$ 13 milhões.
Engenhão

O Botafogo decidiu mudar o campo no final de 2022 e estreou a grama sintética em abril de 2023. A empresa contratada para realizar o processo foi a FieldTurf, que traz um sistema aplicado em Portugal e Holanda. O campo tem a composição de dois tipos de fio (mista) para que os compostos se acomodem de forma mais homogênea no gramado. O custo para a instalação foi de R$ 12 milhões.
Pacaembu?

O Estádio do Pacaembu, rebatizado de Mercado Livre Arena Pacaembu, reabriu suas portas após três anos fechado na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, no final de janeiro deste ano. A praça esportiva optou pela grama sintética, já recebeu partidas do Paulistão e tem grande chance de receber partidas do Santos na Série A. O custo para a instalação foi de R$ 6,5 milhões.
Jogadores fazem movimento contra grama sintética
Em fevereiro, um grupo de atletas surpreendeu ao postar nas redes sociais um texto padrão contra a grama sintética. Grandes astros do futebol brasileiro como Neymar, Gerson, Gabigol, Dudu, Philippe Coutinho, Lucas Moura, Thiago Silva, Pablo Vegetti, Alan Patrick e diversos outros jogadores iniciaram a campanha.
- Preocupante ver o rumo que o futebol brasileiro está tomando. É um absurdo a gente ter que discutir gramado sintético em nossos campos. Objetivamente, com tamanho e representatividade que tem o nosso futebol, isso não deveria nem ser uma opção. A solução para um gramado ruim é fazer um gramado bom, simples assim. Nas ligas mais respeitadas do mundo os jogadores são ouvidos e investimentos são feitos para assegurar a qualidade do gramado nos estádios. Trata-se de oferecer qualidade para quem joga e assiste. Se o Brasil deseja estar definitivamente inserido como protagonista no mercado do futebol mundial, a primeira medida deveria ser exigir qualidade do piso que os atletas jogam e treinam. Futebol profissional não se joga em gramado sintético! #NãoaoGramadoSintético - diz o texto.
Fifa aprova a grama sintética
A Fifa autoriza três tipos de grama para o futebol: natural, relva natural com reforço híbrido e relva sintética/artificial. A entidade máxima cobra desempenho de jogo, segurança, durabilidade e garantia de qualidade com o certificado "Fifa Quality Pro", testado anualmente.
A Fifa tem três níveis de certificação: Fifa Quality Pro (futebol profissional com de até 20 horas por semana), Qualidade Fifa (futebol municipal, recreativo e comunitário de 40 a 60 horas por semana) e Fifa Básica (padrão com critérios "simples" de desempenho e segurança).
Grama sintética agrava lesões?
Será que o gramado sintético é um vilão quando o assunto é ocasionar ou aprofundar lesões em jogadores? Para descobrir. o L! consultou um especialista, que ressaltou que não comprovação científica.
O entendimento geral é de que não há diferença na incidência de lesões entre os dois tipos de piso. No entanto, uma boa manutenção do gramado sintético é necessária para garantir a segurança dos jogadores. Além disso, a ambientação dos jogadores ao piso sintético também é um aspecto importante na prevenção de lesões.
- O gramado sintético é um piso mais duro e, além disso, ele escorrega menos. A grama normal, verdinha, viva, molhada, facilita que o jogador escorregue, ou seja, a chuteira não trava. Com isso, o entendimento, fala para a gente que é um piso mais duro, escorrega menos, onde a chuteira pode cravar no chão e proporcionar lesões. Mas tudo isso tem a ver com a ambientação do atleta com o piso. O atleta ambientado se protege melhor, tem mais noção do corpo no espaço, de equilíbrio, pode haver alguma diferença. Mas não existe um trabalho científico que comprove essa questão - destacou Tiago Lazzaretti Fernandes, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da USP (Universidade de São Paulo) e ex- médico da Portuguesa entre 2008 e 2009.
Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada na revista The Lancet em 2023. Nessa meta-análise, pesquisadores examinaram 1.447 estudos e selecionaram 22 que atendiam aos critérios de inclusão. A conclusão do estudo indicou que a incidência geral de lesões no futebol é menor na grama sintética do que na natural. Conforme os dados, o risco de lesão não pode ser usado como argumento contra o gramado artificial (The Lancet, 2023).
Outro estudo significativo, realizado na Major League Soccer (MLS) entre 2013 e 2016, comparou a incidência de lesões em grama natural e sintética. A análise revelou que a taxa média de lesões por jogo foi semelhante entre as duas superfícies, com uma leve variação (1,54 lesões por jogo em gramado sintético e 1,49 em grama natural). No entanto, foi identificada uma maior incidência de lesões no tornozelo e no tendão de Aquiles no sintético, enquanto outras categorias de lesões não apresentaram diferenças significativas (MLS Injury Surveillance, 2013-2016).
No futebol universitário, um estudo baseado nos dados do Sistema de Vigilância de Lesões da NCAA (2004-2014) analisou a ocorrência de lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) em diferentes superfícies. Os resultados indicaram que jogadores que treinavam em grama natural apresentavam um risco 26% maior de lesão do LCA em comparação com aqueles que treinavam em gramado sintético. Já em partidas oficiais, a diferença entre as superfícies não foi estatisticamente significativa (NCAA Injury Surveillance, 2004-2014).
O estudo de Jan Ekstrand para a Aspetar (que segundo especialistas é um dos maiores centros de medicina esportiva do mundo), sobre lesões na coxa também trouxe contribuições importantes para a compreensão das diferenças entre os gramados. Ekstrand analisou a incidência e os padrões de lesões musculares em jogadores de elite, concluindo que a superfície de jogo pode influenciar o tipo de lesão, embora os riscos gerais permaneçam semelhantes. No entanto, podem existir diferenças nos padrões de lesões em cada uma dessas superfícies. Há indícios de um menor risco de distensões musculares ao jogar na nova geração de gramados artificiais, embora também haja sugestões de um maior risco de entorses no tornozelo em gramados artificiais.
Por fim, um estudo sobre o futebol americano e futebol masculino e feminino no esporte colegial americano apontou que as lesões do LCA foram mais comuns em gramado sintético do que em grama natural, tanto no futebol americano quanto no futebol feminino. No entanto, no futebol masculino, essa associação não foi estatisticamente significativa. Entre as lesões nos membros inferiores, o LCA teve maior probabilidade de ocorrer em gramado sintético no futebol masculino e feminino, mas no futebol americano, a diferença não foi significativa (High School Reporting Information Online, 2007-2019).
Diante desses estudos, percebe-se que a relação entre gramado sintético e incidência de lesões não é tão direta quanto muitos acreditam. Enquanto alguns padrões de lesões podem variar entre as superfícies, a diferença geral na taxa de lesões não é significativa. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ciente dessa controvérsia, produziu um estudo para avaliar a incidência de lesões no Campeonato Brasileiro de 2024, cujo resultado pode influenciar mudanças futuras nas regras do torneio.
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