Análise tática do Guffo: a hierarquia brasileira nas semifinais da Libertadores
O Palmeiras saiu de campo com a vitória mais valiosa, contra o Fluminense

Os jogos de ida das semifinais da Libertadores deixaram uma hierarquia nítida entre os três brasileiros. O Palmeiras saiu de campo com a vitória mais valiosa, o Flamengo garantiu o cenário que queria e o Fluminense terminou a rodada com a missão mais ingrata. A ordem de forças do futebol sul-americano, hoje, fala português. E o que cada um precisa fazer para chegar ao Centenário em novembro, parece bastante claro.
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O Palmeiras provou mais uma vez por que é o time mais difícil de ser batido nessas fases. Abel Ferreira armou uma linha de cinco defensores, bloqueou o corredor central e esperou o vacilo do Fluminense para dar o bote. O Tricolor teve 70% de posse, rondou o campo de ataque, mas finalizou pouco e criou quase nada, com 0,28 de gols esperados (xG) no primeiro tempo. A primeira finalização do Verdão, aos 44 minutos, foi o gol de Flaco López. Ciente e eficiente, o time de Abel converteu em resultado o que o adversário não soube transformar em perigo.
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O Fluminense teve a bola, mas não soube o que fazer com ela. Ganso fez um jogaço, circulou nas costas dos volantes do Palmeiras e encontrou passes entre linhas. Porém, o time não preencheu a área e não teve poder de fogo. O gol nos acréscimos, com cinco jogadores dentro da área, foi o único momento em que o Tricolor fez o que deveria ter feito o jogo inteiro. A perda de Martinelli no intervalo tirou a principal via de construção, e o segundo gol do Palmeiras nasceu de uma bola longa que encontrou a defesa desprotegida.
Resultado bom, performance nem tanto
O Flamengo escolheu esfriar o jogo em La Plata, e o plano funcionou. Com 59% de posse, o rubro-negro segurou a atmosfera do Estádio Uno e levou a decisão para o Maracanã, onde se sente dono do próprio destino. Mas o preço foi alto: cinco finalizações, nenhuma no gol, contra 18 dos argentinos. Bruno Henrique e Samuel Lino apagados, Carrascal como única produção ofensiva, e Léo Pereira e Alex Sandro salvando o que a defesa deixou passar.
O 0 a 0 é um bom resultado, mas esconde um risco real. O Estudiantes vai armar o ferrolho no Maracanã e tem na bola aérea a principal arma, com Carrillo incomodando os zagueiros rubro-negros. A volta de Jorginho ajuda na criação, e Pedro entra como a peça decisiva que faltou na Argentina. Se o Flamengo recuperar a produção ofensiva, tem tudo para avançar. Se repetir a exibição apagada, vai depender de um lance para não reviver o sufoco do ano passado.
Provavelmente, teremos final brasileira
Quem está mais perto da final? O Palmeiras. A vantagem de um gol é gigante para um time tão sólido, e a volta em casa só aumenta o conforto. O Flamengo vem logo atrás, porque o 0 a 0 fora de casa com mando na volta é o cenário que qualquer técnico assinaria antes do jogo. O Fluminense é o caso mais delicado: precisa vencer por dois gols de diferença em São Paulo para avançar no tempo normal, ou por um para levar a decisão aos pênaltis.
Cada um tem sua conta a ajustar, mas sabe o que fazer. O Palmeiras precisa corrigir a perda das segundas bolas, que em alguns momentos deixou o Fluminense vivo no campo de ataque. O Flamengo precisa recuperar a criação e blindar a área contra as bolas alçadas, o ponto mais frágil da noite de La Plata. O Fluminense precisa de poder de fogo e preenchimento de área, além de consertar as desconexões defensivas que entregaram os dois gols. Sem isso, a posse de bola vira estatística de luxo.
O cenário mais provável aponta para mais uma final entre Palmeiras e Flamengo, mas a Libertadores tem o hábito de punir quem se acomoda. O gol do Fluminense nos acréscimos manteve o Tricolor vivo, e o ferrolho do Estudiantes pode transformar o Maracanã em um campo minado. A condição para os três é a mesma: transformar domínio em gol e atenção em segurança. A Glória Eterna está a um passo de ser alcançada por mais um time brasileiro.

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