Criado em 2015 pela CBF para resolver conflitos entre federações, clubes, atletas, treinadores e intermediários de forma mais ágil, sem envolver o Poder Judiciário, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) tem se tornado uma peça importante recentemente na discussão de dívidas entre os clubes brasileiros. No entanto, clubes como o Cuiabá se sentem prejudicados pelo órgão.
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A CNRD tem tomado medidas controversas. O Cuiabá, por exemplo, critica o mecanismo, afirmando que ele avaliza o não pagamento no futebol brasileiro, ignorando negociações originais firmadas entre as partes por contrato. Os problemas vieram principalmente desde que o CNRD passou a aceitar planos coletivos de parcelamento de débitos a devedores, firmando, desta maneira, novos acordos – que ignoram a cobrança de juros e contribuem para a sistematização do calote entre os times.
— A CNRD está incentivando o mau pagador, o calote no futebol brasileiro. Os clubes contratam, não cumprem seus compromissos e procuram o órgão para depois conquistarem vantagens e não cumprirem os contratos firmados em seus negócios — afirma Cristiano Dresch, presidente do Dourado.
Dívidas de clubes com o Cuiabá e situação do Corinthians
O Cuiabá é um dos clubes mais afetados pelo órgão e pode deixar de receber R$ 34 milhões devidos por Corinthians, Santos e Atlético-MG. O Timão, por exemplo, adquiriu o volante Raniele por três milhões de euros em quatro prestações. Atualmente, a dívida gira em torno de R$ 19 milhões devido aos atrasos.
Ao todo, o clube paulista deve R$ 55 milhões no CNRD. A proposta apresentada foi pagar as suas dívidas coletivas em dez anos sem a cobrança de juros, apenas com a correção da inflação, o que faria, por exemplo, com que o Cuiabá perdesse algo em torno de R$ 2,28 milhões ao ano apenas com os juros.
A proposta permitiria que o Corinthians arcasse com uma dívida de R$ 5,5 milhões ao ano, algo que representa 0,5% do seu faturamento anual e pouco mais do que gasta mensalmente com os salários do atacante holandês Memphis Depay.
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Outros dois clubes também devem a equipe mato-grossense. Desde o dia 30 de janeiro, o Santos está atrasado com a última parcela, de um milhão de euros, do zagueiro Joaquim, vendido em fevereiro de 2023, por três milhões de euros. Por conta do atraso, uma multa contratual de 30% elevou a dívida para 1,3 milhão de euros.
Além disso, o Cuiabá manteve 30% dos direitos econômicos do defensor, que já vendido pela equipe da Baixada Santista para o futebol mexicano em um acordo que prevê o pagamento em cinco parcelas. No último dia 11, o Peixe recebeu a segunda parcela deste acordo, mas não fez o repasse do valor ao time mato-grossense.
Mesmo não cumprindo seus compromissos e ativo no mercado da bola, a equipe da Vila Belmiro conseguiu acordo coletivo no CNRD com 17 processos, que serão quitados de acordo com o seu fluxo de caixa e sem envolver a cobrança de juros.
Por fim, o Atlético-MG comprou o atacante Deyverson por R$ 4,5 milhões, que seriam pagos em quatro vezes. O Galo pagou a primeira parcela de R$ 500 mil e tinha que acertar a segunda no dia 15 de setembro do ano passado, também no valor de R$ 500 mil. Após não realizar o pagamento, o caso também foi encaminhado ao CNRD.