A apresentação de Renato Gaúcho como novo treinador do Fluminense aconteceu nesta sexta-feira (4), logo após o primeiro treino comandado pela nova comissão. Com a sala de imprensa cheia, o treinador falou sobre os planos para a base, sobre o elenco e o desejo de uma "redenção". Ainda, convocou o torcedor para encher o estádio no domingo (6), contra o Bragantino.
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Planos de Renato Gaúcho para os Moleques de Xerém
O elenco do Fluminense conta com algumas peças importantes formadas com o DNA tricolor. No time considerado titular, Thiago Silva e Martinelli são os representantes, tendo ainda Riquelme Felipe, Isaque e Marcelo Pitaluga no departamento médico. Além destes que já foram promovidos ao time principal, há as jóias que seguem em Xerém e aguardam uma oportunidade. Na coletiva, Renato respondeu a pergunta do Lance! sobre o plano de usar as promessas e revelou um amistoso para observá-las de perto.
- Sempre gostei de trabalhar com garotos. Costumo mandar um ou dois dos meus auxiliares para ver jogos da base, acompanhar os garotos e me passar as informações. Costumo também criar um tempo, e já marquei para segunda-feira um coletivo contra os garotos da base, justamente para poder observar, dar atenção a eles e ver se tem alguém promissor que possa estar no profissional. Sempre trabalhei dessa forma e aqui no Fluminense não será diferente.
Reencontros, cobrança e destaques do elenco para Renato
Nesta temporada, o Fluminense terá ainda quatro campeonatos pela frente: o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Sul-Americana, que já começaram, e o Mundial de Clubes, que será em junho, nos Estados Unidos. Tendo em vista o calendário cheio, Renato falou sobre dar rodagem aos jogadores e a cobrança quanto à entrega.
- Eu trato todo mundo igual. Dou oportunidades para todos eles. Se o jogador for jogar 5, 10, 40 ou 90 minutos, ele tem que se entregar nesse tempo. Não tem nome, salário, idade. Comigo vão jogar sempre os melhores, mas eu preciso de todos eles, o Fluminense tem várias competições e é impossível colocar em campo sempre a mesma equipe. Todos vão ter a minha atenção, mas em campo eu vou cobrar. Pode ter certeza que todo jogador que entrar, o torcedor vai ver ele se entregando, porque é assim que eu gosto de trabalhar e cobrar os meus jogadores. Tem um ditado que diz que a fila anda lá fora, mas aqui dentro também. Então se ele está me demonstrando que quer ajudar o clube, vai ter muitas oportunidades. Mas se eu sentir que não quer ajudar, e tenho certeza que isso não vai acontecer, ai ele vai para o fim da fila.
O retorno ao Tricolor marca o reencontro com alguns atletas que já trabalhou e a chance de conhecer melhor outros que acompanhava e admira. No próprio Fluminense, foi treinador de Thiago Silva em 2007 e 2008, antes do zagueiro ir para o Milan. Juntos, conquistaram a Copa do Brasil e o vice-campeonato da Libertadores.
- É um cara que sempre que se encontrava, conversavamos bastante. É um monstro, um cara que admiro bastante. Tive o prazer de ter trabalhado com ele naquela Libertadores e torcia para ele na Seleção Brasileira. Todo treinador deseja trabalhar com um cara desse porque é um líder, muito acima da média, experiente e joga muito. É um segundo treinador dentro de campo e me dá uma tranquilidade a mais, também porque o grupo respeita essa liderança. Não a toa é o capitão e um ídolo do Fluminense.
Renato também falou sobre a relação com Thiago Santos e Lima, atletas que já conhecia dos tempos de Grêmio. Sobre Ganso, que se recupera da miocardite, o treinador adotou cautela, mas não poupou elogios.
- Em primeiro lugar, vamos recuperar ele 100%. Um jogador interessante, muito inteligente, acima da média. Indpendente da posição que ele for jogar, é sempre importante ter um jogador desse no grupo e dentro de campo, porque é um líder. Ainda não tive tempo de conversar direito com ele, mas acredito que amanhã eu consiga, no máximo segunda feira, para saber das reais condições dele. Falar com o fisiologista, com o preparador físico, conversar com ele para ver como ele ta se sentindo e a partir daí, dentro do possível, começar a usar ele.
Relação com a torcida do Fluminense e convocação para o jogo
A relação de Renato Gaúcho com a torcida tricolor vai completar três décadas neste ano. Em 1995, defendeu o Fluminense pela primeira vez e desbancou o Flamengo de Romário na final do Campeonato Carioca daquele ano, marcando o famoso gol de barriga. Depois, como treinador, esteve no comando do time em seis ocasiões, agora sete.
- Acho que você conquista uma torcida pelo trabalho que você faz, como jogador e treinador. Então meu trabalho aqui é buscar sempre os melhores resultados. Sempre falo pros meus jogadores e falei isso hoje aqui de manhã que o reflexo do torcedor na arquibancada é o time dentro de campo. Não há time no mundo que vai ser vaiado se tiver se entregando. No momento que o torcedor vê que o time está correndo atrás e buscando a vitória, o torcedor vem junto. Se ele vê que o time está apático, que passa a impressão que os jogadores nao querem nada, lógico que vão ficar insatisfeitos. Eu falo isso para eles, é só se colocar no lugar do torcedor lá fora.
No domingo (6), o Flu enfrenta o Bragantino pela segunda rodada do Brasileirão. A bola vai rolar às 16h, no Maracanã e será o reencontro do time com a torcida. De olho no duelo, o treinador garantiu entrega do time e convocou os tricolores para encher o estádio.
- Já aproveito e peço para que o torcedor compareça no maior número possível no Maracanã porque a torcida do Fluminense sempre foi uma torcida que compareceu e incentivou. E se tratando de Campeonato Brasileiro é preciso, mais do que nunca, da nossa torcida para apoiar a equipe.
Sonho pendente com o Fluminense na Libertadores
Em 2008, o Fluminense viveu um dos capítulos mais difíceis de sua história recente. Após uma campanha irretocável na Libertadores, o time deixou escapar o título que seria inédito na época. Com um time recheado de craques, a Glória Eterna ficou a alguns pênaltis de ir para Laranjeiras. Neste ano, o Flu disputa a Sul-Americana, mas Renato revelou o desejo de "redimir" aquela derrota.
- Aquela final da Libertadores de 2008 não me desceu até hoje, por tudo que fizemos na competição. Fiquei feliz com o clube ter conquistado a libertadores dois anos atrás. Então vamos trabalhar para conquistar a vaga no ano que vem e, quem sabe, realizar esse sonho.