O Brasil volta a ter uma atleta na categoria de esqui alpino nas Olimpíadas de Inverno e, após 12 anos de ausência, marcará presença nos Jogos Milão-Cortina 2026. A conquista histórica é da esquiadora Alice Padilha. Com exclusividade ao Lance!, a jovem de 17 anos contou um pouco sobre a sua experiência, as suas expectativas e as suas paixões, além de compartilhar a emoção que sentiu com o marco importante para o esporte brasileiro na neve.
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Confira a entrevista na íntegra com Alice Padilha
O feito da atleta prodígio de apenas 17 anos aconteceu no dia 10 de fevereiro e é fruto de muito trabalho, treinamentos e disciplina.
Alice Padilha começou a esquiar com apenas quatro anos em Connecticut, Estados Unidos. O amor pela competição veio de família após se inspirar no esporte e habilidade de seu irmão gêmeo, Arthur Padilha. Anos depois, a brasileira teve uma apresentação notável em uma competição de slalom universitário em Berkshire East, nos EUA, onde alcançou o 14º lugar.
Esta atuação lhe rendeu 83,07 pontos FIS, bem abaixo do limite de 120 pontos necessários para a classificação. Além do slalom, Alice Padilha também compete no slalom gigante, buscando consolidar sua presença no esporte.
Inspirada pela eslovaca Petra Vlhová, campeã mundial e olímpica, a jovem já demonstrou seu potencial ao se classificar para as Olimpíadas de Inverno da Juventude Gangwon 2024. A Confederação Brasileira de Desportos na Neve anunciará os atletas convocados ao final do período de classificação, no início de 2026, e Alice Padilha já está em preparação para que o seu nome chegue forte na luta para assumir a vaga que a mesma conquistou.
As expectativas e o esporte de alto risco pode ser um desafio para os atletas de todas as idades. No entanto, apesar de jovem, Alice demonstrou entender bem a importância de um bom acompanhamento psicológico para a mente de um atleta, dentro e fora do Brasil. Assim, a esquiadora está se preparando física e psicologicamente para representar o país em um futuro próximo.
Com a inclusão de Alice, o Brasil garante o retorno de uma mulher na modalidade de esqui alpino, após não ter representantes femininas nas últimas duas edições das Olimpíadas de Inverno. A última atleta foi Maya Harrison, representante brasileira em Sochi 2014, na Rússia, e em Vancouver 2010.
Veja outras respostas de Alice Padilha, atleta de esqui alpino do Brasil
O que precisa para esquiar?
- Para começar, é frio. Precisa gostar da neve, precisa gostar do frio. Eu fico lá fora o dia todo e se você não gosta (de frio) é bom você ir para outra coisa. Mas todo mundo consegue fazer, todo mundo consegue esquiar. É só ir para fora (de casa), trabalhar duro e aprender tudo. É difícil, mas se eu consigo fazer, todo mundo consegue.
Rotina de uma atleta de alto rendimento e seus "hobbies"
- Eu vou para uma escola para pessoas que esquiam, então eu esquio todo dia na escola. É uma academia de esqui. Então eu acordo às 6 horas, todo dia, em dia de escola, depois comer, pôr a roupa e esquiar por quatro horas todo dia. Eu volto (para casa), como e vou para a escola das 1 hora da tarde até às 6 horas da noite, quando eu volto para casa para terminar o treinamento, depois vou dormir e faço tudo de novo.
- Eu gosto muito de treinar, como ir à academia e correr. Eu sei que isso me ajuda no esqui, mas eu gosto de fazer por prazer também. Eu gosto muito de correr e de andar de bicicleta.
Recado para os torcedores brasileiros
- Quero dizer que não estou fazendo tudo isso para ter fãs, então para que me verem esquiando saibam que estou fazendo isso por eu gosto. E que eu quero fazer o bem e que eu amo o esporte.
Crescimento dos esportes de inverno no Brasil
- Sim. Eu acho que todo mundo que está esquiando agora pelo Brasil (quer isso). Quanto mais a gente faz, e os torcedores assistirem, mais pessoas vão querer fazer também. Fazer algo novo, algo que ninguém faz, eu acho isso muito legal.
Por que escolheu o Brasil ao invés dos Estados Unidos?
- Eu acho que já sabia que eu esquiaria pelo Brasil, já que nasci lá. Eu falo português, minha mãe e meu pai, minha vó e toda minha família é do Brasil. Então, eu acredito que se eu esquiasse pelos Estados Unidos, eu não teria um significado para o que eu estou fazendo. Eu acho que pelo Brasil, eu consigo fazer mais coisa pela minha família, como ir ao Brasil (mais vezes).
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