CBF: revista denuncia aumento de salário a dirigentes e gastos milionários na Copa de 22
Ednaldo Rodrigues foi reeleito presidente da CBF de forma unânime no mês passado

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A gestão de Ednaldo Rodrigues na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está envolvida em uma série de denúncias reveladas pela revista "Piauí". A publicação destacou práticas administrativas controversas e o uso questionável de recursos financeiros da entidade, incluindo estratégias para assegurar a reeleição de Rodrigues e despesas milionárias com parlamentares, artistas e membros do Judiciário.
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Apesar das acusações, Ednaldo Rodrigues permanece à frente da CBF, tendo sido reeleito com apoio unânime das 27 federações estaduais e dos 40 clubes das Séries A e B.
Segundo a revista, a CBF gastou mais de R$ 24 milhões com advogados e acordos, obtendo recursos de forma considerada ágil e envolvendo um caso analisado por um parceiro comercial.
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Uma das polêmicas mais notórias foi o afastamento de Ednaldo da presidência da CBF, em dezembro de 2023, devido a irregularidades na eleição. A entidade recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e envolveu a tramitação do processo. O regimento interno prevê que a presidência do tribunal encaminhe o recurso ao mesmo magistrado que já tratava do assunto — no caso, o ministro André Mendonça. Contudo, optou-se por um sorteio, e o caso foi encaminhado ao ministro Gilmar Mendes, que possui ligação comercial com a CBF por meio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), administrador dos cursos da CBF Academy desde agosto de 2023.
Um episódio marcante ocorreu durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022, quando a CBF financiou a viagem de 49 pessoas que não tinham vínculo direto com a entidade, incluindo parlamentares, artistas e familiares. O custo da viagem, que incluiu voos de primeira classe, hospedagem em hotéis cinco estrelas e ingressos para os jogos, foi estimado em R$ 3 milhões. Alguns convidados tiveram tratamento VIP no Aeroporto de Doha, e pelo menos um recebeu um cartão corporativo com limite diário de 500 dólares.
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Outro ponto polêmico foi o financiamento de despesas pessoais da família de Rodrigues durante a Copa do Catar. A esposa, filha, cunhada, genro e netos do presidente viajaram de primeira classe, com hospedagem de luxo e atendimento VIP, resultando em custos adicionais de R$ 37 mil apenas para a esposa. A CBF também custeou viagens e ingressos para parlamentares, com valores que chegaram a R$ 364 mil para o deputado José Alves Rocha e R$ 195 mil para o senador Ciro Nogueira.
Durante a gestão de Rodrigues, houve também aumento significativo nos salários dos presidentes das federações estaduais, passando de R$ 50 mil para R$ 215 mil por mês, além de um 16º salário. Chamou atenção o caso de Roberto Góes, presidente da Federação Amapaense de Futebol, que teve uma viagem familiar custeada pela CBF para tratamento médico em São Paulo, com despesas de R$ 114 mil.
Enquanto realizava gastos expressivos, a gestão de Rodrigues reduziu investimentos na arbitragem. Treinamentos presenciais para árbitros da Série A foram suspensos por motivos orçamentários, sendo substituídos por videoconferências. Projetos de modernização, como a criação de um centro de treinamento exclusivo, foram arquivados, gerando insatisfação no setor.

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