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Felipe Ximenes
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 26/03/2025
06:55
Atualizado há 7 minutos
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A história se repete.

O fim dos campeonatos estaduais de futebol no Brasil representa um momento de alegria para os torcedores das 27 equipes campeãs, reclamações de quem perdeu, que por muitas vezes extrapolam o limite do razoável, e que tem como efeito prático a desvalorização de um produto que já vale pouco (São Paulo não entra nessa equação), uma boa quantidade de técnicos demitidos e juras de projetos longos descumpridas. Mas infelizmente, também marca o início de um período de incertezas para milhares de famílias e trabalhadores que dependem do futebol para sobreviver.

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Com o encerramento dessas competições, mais de uma centena de clubes e milhares de profissionais perdem temporariamente suas fontes de renda, impactando diretamente suas vidas e de suas famílias.

Dentre os mais afetados estão os trabalhadores informais que vivem do futebol, como ambulantes que vendem alimentos e bebidas nos arredores dos estádios, seguranças, catadores de recicláveis, motoristas de aplicativos e pequenos comerciantes. Essas pessoas encontram nos campeonatos estaduais uma oportunidade de gerar renda, e com o fim dos jogos, enfrentam um cenário de incerteza econômica. Cenário este que não demonstra nenhum viés de melhora: em 2025 tivemos uma média de 14 datas para a realização dos estaduais e, ao que parece, em 2026 teremos míseras 12 datas.

Descontinuidade dos estaduais é luta para se manter no mercado

Além disso, inúmeros estádios municipais acabam ficando ociosos após o término dessas competições. Essas praças esportivas, muitas vezes mantidas com recursos públicos, deixam de ser utilizadas com frequência, impactando a economia local e a geração de empregos indiretos, como manutenção, segurança e serviços gerais. Sem uma programação constante de eventos esportivos ou culturais, esses espaços se tornam pouco aproveitados e deficitários. Um prejuízo imenso para toda a indústria, que não chega às discussões superficiais dos estúdios de TV e concentrações das grande equipes, sobre a utilização de gramado sintético ou natural em nossos estádios.

Mas o impacto atinge em cheio mesmo os profissionais diretamente ligados ao futebol, como jogadores de times com pouco investimento, comissões técnicas inteiras, árbitros e funcionários de clubes, que muitas vezes assinam contratos curtos e ficam sem perspectiva de emprego até o início de novas competições. Para essas pessoas, a descontinuidade dos campeonatos estaduais representa uma luta para se manter no mercado esportivo ou ser obrigado a buscar alternativas de trabalho em outras áreas.

Paradoxos do país do futebol.

E por quê lamento? Porque quem vive da “bola” e depende dela, sabe que nada será feito para mudar este quadro. As discussões dentro do planeta futebol passarão a ser sobre os grande campeonatos; as matérias dos grandes veículos de comunicação se voltarão para o calendário nacional e internacional; e nós, pobres cães, roucos de ladrar, nos recolheremos à nossa insignificância enquanto a caravana da bola, altiva, seguirá o seu caminho: alimentando ilusões, vendendo fantasias e alegrando multidões.

Panem et circenses.

Atlético-MG é campeão mineiro. (Foto: Pedro Souza/Atlético)
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