Libra e LFU: negociação de direitos tem briga de bastidor e menos dinheiro
Novo acordo será válido por três e é um dos primeiros feitos em parceria

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Libra e LFU, os dois grupos que planejam organizar o Brasileirão no futuro, estão fechando um acordo estimado em cerca de R$ 225 milhões (US$ 40 milhões) pela venda dos direitos de betting — transmissões de jogos e dados das Séries A e B em plataformas de apostas esportivas — pelos próximos três anos. Houve uma proposta maior, mas que desencadeou desentendimento entre as empresas envolvidas: de um lado, levantou-se uma suspeita de favorecimento; de outro, ameaçou-se com processo. No fim, as duas ligas caminham para fecharem um contrato considerado rentável, mas menor do que poderia.
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Esse é um dos primeiros acordos de comercialização realizados em conjunto por Libra e LFU, que até agora vinham fazendo negociações à parte. O outro diz respeito à venda de direitos da Série B do Brasileirão.
No ano passado, os grupos negociaram separadamente os direitos de betting e de TV para o exterior, mas apenas dos jogos de clubes da Série A. À época, as tratativas iniciaram com a americana Stats Perform, mas o acordo acabou celebrado com a suíça Infront. Os direitos da Série B foram negociados pela CBF.
Agora, Libra e LFU se uniram para vender os pacotes em conjunto dos jogos das duas principais divisões do País — mas apenas os de betting, não os de TV internacionais. O acordo é intermediado pela Peak Sport Media, agência que negocia os direitos de transmissão da LFU desde o ano passado.
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A Peak solicitou ofertas a pelo menos três empresas: a Infront, a Stats Perform e a Sportradar. O Lance! apurou que a Stats Perform apresentou uma primeira proposta, mais baixa, e logo se retirou. A Sportradar, por sua vez, apresentou a primeira proposta mais alta, de cerca de R$ 225 milhões.
Foi alegado, no entando, que a Infront detinha junto à Libra um contrato que lhe dava preferência na renovação caso igualasse a proposta de algum concorrente. A empresa suíça, então, acionou a suposta cláusula e igualou a proposta da Sportradar.
Com o "empate", a Sportradar apresentou uma nova proposta aos grupos, de R$ 252 milhões (US$ 45 milhões). Mas, nesse momento, foi informada de que o processo estava definido porque a cláusula prevista em contrato já havia sido acionada pela Infront.
Todo esse processo aconteceu num curto espaço de tempo, ao longo do mês de março. Alguns ajustes e troca de informações foram feitos através de conversas por WhatsApp. O Lance! apurou que a Sportradar chegou a solicitar que tudo fosse formalizado através de e-mails, mas o pedido incomodou os representantes dos clubes — eles consideraram que a empresa estava levantando dúvidas sobre a lisura do processo. Houve ameaça (nem tão) velada de processo por difamação.
Briga de bastidores à parte, do ponto de vista prático houve burburinhos e descontentamento em alguns dirigentes de clubes, já que a oferta da Sportradar poderia render R$ 27 milhões a mais. Mas advogados dos dois grupos concluíram que havia risco de judicialização caso a Infront não levasse, uma vez que ela detinha um contrato com direito de preferência, ainda que para escopos diferentes.
Integrante da Libra, o Flamengo optou por negociar individualmente o acordo de betting e não entra nessa divisão de receitas.
Procurado pelo Lance!, Bruno Rocha, CEO da Peak, não quis se pronunciar, alegando que não fala pelos clubes. Marcelo Paz, presidente da LFU, e Silvio Matos, CEO da Libra, não responderam aos contatos da reportagem.
A Sportradar, por sua vez, informou que não irá se pronunciar porque "para a empresa, o processo ainda está em andamento". Infront e Stats Perform não responderam.

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