Ídolo do Bahia lembra dilúvio contra o Inter e avalia time na Libertadores
Zé Carlos dá entrevista exclusiva ao Lance! antes de jogo contra o Inter

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"Naquele tempo, se a gente jogasse dez jogos contra o Internacional, a gente ia ganhar nove ou oito".
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L!: como foram esses bastidores fora e dentro de campo e as condições de jogo daquela partida entre Bahia e Internacional que terminou 0 a 0, com o Colorado se classificando para as semifinais da Copa Libertadores?
Zé Carlos: na verdade, a gente se prepara para o jogo, apesar de entender que o campo não tinha condições nem para a bola rolar, mas aconteceu de o juiz autorizar o jogo e a gente acabou jogando. Até teve uma bola que o Mazú chutou, passou de Tafarel e parou praticamente na linha. Naquele tempo, se a gente jogasse dez jogos contra o Internacional, ganharíamos nove ou oito, porque tínhamos acertado a forma de jogar contra eles.
- Em todos os jogos que fizemos contra o Inter, levamos vantagem e fomos melhores, mesmo quando perdemos por 1 a 0 lá. O jogo de 3 a 0 que o Internacional venceu na primeira fase do Brasileiro serviu de lição para a gente. Eles achavam que tanto no Brasileiro quanto na Libertadores se dariam bem por conta daquele jogo, mas nunca deixamos de atacar, de buscar o gol adversário, e isso impressionava muito eles. Eu tive o prazer de jogar quatro anos com o Tafarel, e ele sempre falava que ficava impressionado porque o Inter fez o gol e se assustou. O Bahia tomou o gol e ficou tranquilo, parecia que estava ganhando o jogo.
L!: Parece que, se fosse em condições normais, sem aquele dilúvio, o Bahia teria uma boa chance de ganhar do Internacional na Libertadores. Você pensa da mesma forma?
Zé Carlos: nós estávamos confiantes em conquistar a Libertadores. Do jeito que nosso time estava encaixado e jogando, até mesmo naquela chuva, demonstramos o tempo todo que poderíamos vencer e ir até a final. Mas não sei por que realizaram aquele jogo em um gramado que não dava nenhuma condição. Todo mundo falou com Arnaldo, e ele disse que teria que dar o jogo. Nosso time tinha muita coragem, firmeza, e as conquistas no Brasileiro nos deixaram confiantes. O Bahia virava jogos, nós nunca desistíamos. E tínhamos botado na cabeça que ninguém nos tiraria da Libertadores, se não fosse a chuva.
- Mesmo assim, conseguimos um feito maravilhoso. Com todos os investimentos e estrutura que existem hoje, é muito difícil um time do Nordeste ser campeão brasileiro. Na nossa época, sem recursos, com salário atrasado, sem material e sem condições de trabalho, fomos campeões. O Bahia se encaixava, tinha atitude. Disputávamos cada espaço do campo, todas as bolas. E isso não era só de um jogador, era o time todo. Quando alguém não estava no mesmo ritmo, cobravávamos.
L!: como você vê o Bahia nessa Libertadores? Você acha que o Bahia pode ir longe, como em 89, ou ainda precisa crescer para chegar a esse patamar?
Zé Carlos: futebol é atitude. A Libertadores antes era uma competição muito rivalizada, até violenta. Hoje, com a mídia, celulares e imagens, isso diminuiu. Mas o que precisa acontecer agora é o Bahia acreditar no seu potencial. Se eu não acreditar em mim, ninguém vai acreditar. O Bahia precisa entrar em campo para vencer o Internacional na Libertadores.
L!: o grupo que o Bahia enfrenta agora é chamado de "grupo da morte", com Nacional, Atlético Nacional e Internacional. Você acha que o Bahia tem condições de passar para a próxima fase?
Zé Carlos: sem dúvida. Não tem jogo fácil na Libertadores, mas o Bahia tem que pensar em fazer o melhor, se entregar ao máximo. Se repetir o desempenho contra o The Strongest, com coragem e determinação, dificilmente ficará fora da próxima fase.
L!: para encerrar, depois da sua passagem pelo Bahia, você jogou pelo Atlético Mineiro, Internacional, foi convocado para a Seleção Brasileira. O Bahia foi um grande propulsor para sua carreira?
Zé Carlos: sim, tudo começou no Bahia. Fui artilheiro, tricampeão baiano, campeão brasileiro, convocado para a Seleção jogando no Bahia. Depois joguei no Internacional, no Guarani, no Atlético Mineiro, fui campeão em vários lugares, mas o que mais me marcou foi ser campeão pelo meu time do coração. Hoje, eu tenho um centro de formação de atletas e continuo ajudando o Bahia sempre que posso, passando minha experiência para a nova geração.
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